O Botafogo atravessa um período de pressão interna e debates intensos nos bastidores. Após a derrota para o Remo, na última quarta-feira, fora de casa, o clima em General Severiano ficou ainda mais tenso. Conselheiros do clube têm cobrado o presidente João Paulo Magalhães pelo desempenho da equipe sob o comando do técnico Tite, em um cenário delicado no Brasileirão.
Tite assumiu o time no meio de setembro, após a saída do técnico anterior, e disputou seis partidas até o momento. O saldo é uma única vitória, contra a Chapecoense, um empate com o Coritiba e quatro derrotas, incluindo o último revés contra o Remo. O Botafogo está atualmente na 11ª posição, com 39 pontos, mantendo quatro de vantagem sobre o primeiro time na zona de rebaixamento, o Internacional.
Apesar dos resultados negativos, o treinador ainda conta com respaldo da presidência e de boa parte da diretoria. A admiração pelo currículo e pela trajetória de Tite, ex-comandante da Seleção Brasileira, é clara. Ainda assim, há críticas internas, inclusive veladas, de jogadores sobre algumas escolhas na escalação, principalmente em relação à atuação defensiva e ao meio-campo, com Montoro citado como exemplo de dificuldades nesse setor.
Além das avaliações técnicas, a derrota em Belém gerou desconforto pela forma como certos assuntos foram expostos publicamente, como a suposta promessa de um 'bicho recorde' para o jogo contra o Remo. Fontes ligadas ao clube negaram a existência de um valor extraordinário para essa premiação, que é uma prática recorrente para vitórias e dispersa entre elenco e funcionários. Ainda assim, essas informações causaram desconforto e foram consideradas inadequadas internamente.
No cotidiano dos treinamentos e preparação, a comissão técnica é vista como dedicada e focada, mas a instabilidade nos resultados impacta na confiança do grupo. O ano vem sendo marcado por altos e baixos, o que deixou o time exposto a adversidades. Em meio a essa situação, sócios e conselheiros buscaram o presidente para manifestar insatisfação com o desempenho e com o método de trabalho do treinador, algo que era raro na gestão anterior da SAF, sob John Textor.
João Paulo garante que o trabalho de Tite é positivo e que o elenco está unido em torno do comandante. Entretanto, após as derrotas seguidas para Internacional e Remo, as críticas aumentaram. Embora setores externos à diretoria defendam uma troca no comando técnico, essa possibilidade não está em pauta para a presidência e o diretor de futebol, Léo Coelho, que mantêm confiança plena no treinador.
Além do trabalho da comissão técnica, há uma reclamação crescente sobre a falta de transparência e comunicação entre a diretoria e os outros departamentos do clube, incluindo a torcida. O clube social, que detém 99% das ações da SAF, ganha força em meio à transição administrativa para a GDA Luma, fator que também influencia o ambiente interno.
O próximo desafio do Botafogo será na quarta-feira, às 21h, contra o Atlético-MG, em jogo da 34ª rodada do Brasileirão. Com a situação apertada na tabela, o time precisa reencontrar o caminho das vitórias para afastar de vez o risco de queda e tranquilizar seus apoiadores. O momento pede foco, união e trabalho para que o Fogão possa virar essa página complicada.