O futuro da SAF Botafogo poderá ganhar um capítulo importante já neste sábado, 24 de outubro. É o prazo final para que a Eagle Bidco, empresa do americano John Textor e antiga acionista majoritária da SAF, exerça o direito de preferência na compra das ações emitidas após o aumento de capital aprovado em setembro. Essa decisão vai definir quem controla a SAF nos próximos passos do clube.
Na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada em setembro, o Botafogo social mostrou interesse em comprar 51% das novas ações, o que representa 102 milhões das 200 milhões de ações ordinárias Classe B. Logo após a AGE, o clube deu o primeiro passo e pagou pouco mais de R$ 1 milhão. A Eagle Bidco, por sua vez, recebeu um prazo de 30 dias para exercer o direito de preferência e adquirir suas cotas proporcionais. Esse prazo acaba justamente neste sábado.
Nas semanas que sucederam a AGE, houve contatos entre o clube social e a Cork Gully, administradora judicial da Eagle, que chegou a pedir esclarecimentos logo após a Assembleia. Apesar disso, até a última sexta-feira, não houve qualquer iniciativa concreta para a Eagle comprar as ações restantes, que totalizam cerca de 98 milhões, e representariam um investimento de aproximadamente R$ 980 mil.
Se a Eagle decidir não exercer o direito de preferência, a participação da empresa americana na SAF será fortemente diluída. O Botafogo social poderá adquirir essas ações que sobrarem em até cinco dias após o fim do prazo inicial, o que aumentaria sua fatia para 99,18%. Assim, a Eagle ficaria com apenas 0,82% do capital, tornando-se minoritária de forma praticamente irrelevante.
Essa mudança é muito relevante para o futuro do clube. Com o Botafogo social majoritário na SAF, o processo de venda do clube na modalidade SAF para o grupo do empresário mexicano Gabriel de Alba, via GDA Luma, fica mais simples. A transferência total das ações poderá ser feita sem a necessidade de acionamento de mecanismos legais mais complexos.
Caso a Eagle ainda detenha uma porcentagem significativa das ações, será necessário utilizar o chamado "direito de drag along". Esse mecanismo protege o acionista majoritário, permitindo que ele obrigue os minoritários a vender suas ações em determinadas condições. Com a quase totalidade das ações nas mãos do Botafogo associativo, esse tipo de ação não será necessário.
Dentro de campo, o Botafogo se prepara para o desafio deste sábado contra o Internacional, no Beira-Rio, pela 32ª rodada do Brasileiro. O time carioca busca manter a boa fase e seguir somando pontos para melhorar sua posição na tabela. Atualmente, o Fogão ocupa o 11º lugar, com 39 pontos, e sonha com uma vaga ao menos no G-6 até o final da competição.
Nos bastidores, o cenário político e econômico do clube passa por um momento decisivo. A definição da composição acionária pode influenciar diretamente as próximas contratações, estruturações e a estabilidade financeira para a próxima temporada. Também é um momento de mobilização para a torcida, que acompanha tudo de perto e espera que as mudanças tragam resultados positivos.
Assim, o sábado promete ser um dia de decisões importantes para o Botafogo, dentro e fora de campo. A expectativa é que essa definição clareie o caminho do clube rumo a uma nova fase na sua gestão e na busca por melhores resultados. A torcida, como sempre, estará presente, apoiando o maior do Rio, com a camisa preta e branca do nosso Fogão.