O Botafogo sofreu uma derrota pesada neste sábado, ao perder por 3 a 0 para o Internacional, em jogo válido pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro. A atuação da equipe carioca ficou muito abaixo do esperado, principalmente no setor de meio-campo, onde a falta de combatividade chamou a atenção e reacendeu um debate que vem acompanhando o técnico Tite desde o início do trabalho no clube: a escolha do primeiro volante.
Allan, que tem sido o jogador responsável pela proteção da defesa, não conseguiu corresponder às expectativas diante do Internacional. Com a reta final de seu contrato se aproximando, o camisa 25 não demonstrou o domínio da função que vinha prometendo, sendo bastante superado nas disputas e praticamente invisível na criação ofensiva. No lance do segundo gol do adversário, por exemplo, ele sofreu um giro decisivo que permitiu a finalização de Juninho no Beira-Rio.
O clima no estádio de Porto Alegre, castigado pela forte chuva que deixou o gramado pesado, também contribuiu para um cenário ainda mais difícil para o Botafogo. O jogo ficou muito truncado e a equipe mostrou dificuldades físicas. O desempenho nas disputas pelo meio foi alarmante: o time teve sucesso em menos de 50% dos duelos, vencendo apenas 35 de 78 confrontos diretos.
Apesar das críticas, Tite ressalta que não coloca a culpa em um jogador só, mas sim no coletivo. O treinador analisou a derrota, assumindo que o time foi inferior tecnicamente, fisicamente e taticamente. Segundo ele, o Internacional mereceu a vitória principalmente pela força apresentada no primeiro tempo. Durante o segundo tempo, uma grande atuação do goleiro botafoguense evitou um placar ainda maior.
No que diz respeito à função do primeiro volante, Tite reafirmou sua aposta na experiência de Allan, explicando que Huguinho não está na briga direta pela vaga. De acordo com o treinador, Domingos Andrade é quem apresenta mais condições de disputar posição com o atual titular. Além disso, explicou que Huguinho tem características diferentes, mais voltadas para uma função box to box, e que a movimentação no meio-campo ainda pode sofrer alterações.
O comandante reforçou que o problema do Botafogo não está restrito ao meio-campo. Segundo ele, a falta de efetividade é geral e envolve os setores ofensivo e defensivo. Para Tite, o trabalho será de buscar melhorias em todas as frentes e ajustar o equilíbrio para que o time se torne mais competitivo nas próximas partidas.
Com 39 pontos, o Botafogo ainda vive a pressão de não se afastar completamente do risco de rebaixamento. O próximo compromisso será contra o Remo, na Vila Belmiro, em Belém, time praticamente rebaixado e que soma menos de 1% de chance de permanência na Série A. Enquanto isso, o elenco retorna ao Rio de Janeiro para dois dias de treinos antes de viajar para o confronto.
A expectativa da torcida está voltada para as possíveis mudanças no meio-campo e o desempenho dos volantes. O Botafogo precisa urgentemente mostrar uma outra cara se quiser garantir a permanência na elite do futebol brasileiro e evitar preocupações maiores na reta final do Brasileirão.